Chega de culpar a vítima!

Esses dias uma das organizadoras da Marcha ouviu, durante uma palestra sobre drogas (na qual, aliás, foram ditas outras besteiras, como informações incorretas e alarmistas a respeito da maconha) que, quando um cara coloca boa noite Cinderela [bebida que causa inconsciência] na bebida da menina na balada, a culpa de ser estuprada é dela. O pior: esta palestra aconteceu em uma escola, voltada a adolescentes. Pior ainda: quando a organizadora contestou essa perigosa culpabilização da vítima, a manifestação dos colegas foi de escárnio. Uma professora (!) confirmou esse pensamento. E ainda acrescentou: caso a menina estuprada fosse menor de idade, a mãe deveria ser presa, por não saber dar “educação” para sua filha (curiosamente, ela não disse nada sobre qual deveria ser a punição a um pai caso o filho seja um estuprador).

É claro que quem reproduz isso em geral não tem ideia das consequências do que fala.

Será que já pararam pra pensar que podem ser cúmplices de um estupro? Será que você já parou pra pensar nisso?

Antes dessa reflexão, sugiro esse relato:

http://fuiestuprada.wordpress.com/2013/07/31/se-voce-estuprou-alguem-leia-esse-post-pode-ser-pra-voce/

Esse relato é forte, não pelo estupro narrado, mas sim por todos e todas que foram cúmplices de alguma forma;

Primeiro, a decepção de nunca estar segura;  A mulher  conhece uma  pessoa, cria uma amizade, confia e a pessoa a estupra. Depois o medo;  de não saber o que vai vir depois, daquilo se repetir, medo de não sobreviver. Em seguida a vergonha;  o sentimento de invasão, a confirmação de que o  corpo não pertence a ela , o nojo de ser invadida…

Ela já não tem mais sua intimidade, se sente humilhada, se sente revoltada.

Depois de toda essa humilhação, o ex namorado mal acreditou, disse que a vítima  não poderia fazer nada, pois ela defendia a liberdade sexual, e a justiça  consideraria que defender a liberdade sexual é um motivo para ser estuprada.

Primeiro cúmplice; Desencorajou a vítima a denunciar o seu agressor culpando-a, e achou que por ela defender a liberdade sexual, era uma mulher “estuprável”.

Em seguida a vítima falou com o melhor amigo, que não deu muita bola, não teve empatia pelo seu sofrimento.

Segundo cúmplice; Agiu como se estupro fosse algo banal ou até mesmo um fato inventado, e contribuiu para que ocorresse o que sempre ocorre: A vítima achar que tem culpa.

E no decorrer da história, mais cúmplices… Todxs omissxs na agressão, salvo raras exceções.

Cúmplices porque não deram o apoio emocional que a vítima precisava, e não estimularam a denunciar. Niguém é obrigada a denunciar seu agressor nem deve ser pressionada a fazê-lo. Mas ninguém deve ser desestimulada a denunciar, muito menos com argumentos machistas que basicamente dizem que a Justiça vai é dizer que o estupro foi merecido. Se a autora do relato tivesse tido o apoio emocional necessário para se sentir empoderada a denunciar, talvez tivesse a tranquilidade de saber que seu estuprador se encontra preso, com muito menos possibilidades de fazer outras vítimas, ao menos enquanto durar sua sentença. Não é incomum que, quando um estuprador seja denunciado, outros relatos apareçam, de vítimas que não tiveram coragem de vir a público quando foram agredidas, pois sabiam que acusar alguém de estupro muitas vezes traz como consequência ser desacreditada, ridicularizada, isolada, e até culpada pelo ocorrido. Essa cultura que agride mulheres por serem vítimas de estupro cria muitas outras vítimas em potencial, ao desestimular a denúncia e manter estupradores nas ruas (e nos locais de trabalho, nas faculdades, nas escolas, nas igrejas, nas famílias, nos círculos de amigos).

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Esse texto vai para todos vocês que dizem que a culpa da violência é da mulher:  CHEGA de repetir esse pensamento, de ser cúmplice da violência!

Violência sexual é CRIME e quem paga na maioria das vezes  é a vítima!  Paga pois a acusam de mentirosa, pois dizem que a culpa do estupro é dela,porque ela se sente só no mundo, pois passa a conviver com o medo, passa a conviver com a dor, tem sua vida sexual e relacionamentos futuros comprometidos por esse ato. Já não basta toda a dor do estupro? Será que é preciso sofrer tudo isso? Será que esse sofrimento não poderia ser amenizado? Será que ela não denunciaria e evitaria que se fizessem mais vítimas? Como será que fica o estado emocional de uma garota violentada quando houve que a culpa de um estupro é da vítima ou da mãe da vítima? Será que começa a acreditar? A carregar o fardo de ser culpada pela violência que sofreu? Será que quem diz um absurdo desses em público já parou pra pensar na possibilidade enorme de que ali ao seu lado haja uma ou mais vítimas de estupro?

Continua achando que a culpa do estupro é da vitima? Então, sinto muito dizer…mas você é cúmplice do estupro.

E para todxs que repudiam a violência e sabem que a culpa do estupro é de quem estupra, convidamos para a Segunda Marcha Das Vadias Da Baixada Santista: https://www.facebook.com/events/481834158578585/?fref=ts#!/events/481834158578585/?fref=ts

Traga o seu grito, seu cartaz, sua revolta. Vamos dizer NÃO para a cultura do estupro! Dizer BASTA a toda a violência a que estamos submetidas! DIZER NÃO AO MACHISMO, RACISMO, TRANSFOBIA, HOMOFOBIA, LESBOFOBIA E BIFOBIA! 

Dia 03 de novembro

Concentração : 13 horas – Praça da independencia

Saída: 14 horas

Destino: Quebra Mar emissário submarino com SARAU FEMINISTA, com presença da dupla de rap Tarja Preta:  https://www.facebook.com/groups/157786257760181/#!/tarjapretta021?fref=ts e da MC e DJ Luana Hansen: https://www.facebook.com/pages/DJ-Luana-Hansen/269488799820532 além de venda e distribuição gratuita de literatura feminista, além de distribuição de preservativos masculinos e femininos, e venda de lanches veganos.

“ SE CUIDA, SE CUIDA, SE CUIDA SEU MACHISTA, A BAIXADA SANTISTA VAI SER TODA FEMINISTA” 

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