2º Marcha das Vadias- Baixada Santista acontece em Santos no dia 03 de novembro

marchadasvadias

Logo liiiindo da marcha de 2013 *-*

No primeiro domingo de novembro, dia 03, às 14:00, ocorre a 2ª edição da Marcha das Vadias – Baixada Santista, evento cujo objetivo é combater a cultura de culpabilização da mulher que sofre violência.  O movimento surgiu em Toronto, no Canadá, no ano de 2011, em reação a uma palestra realizada em um campus universitário, durante a qual um policial disse às alunas presentes que, para evitar o estupro, elas deveriam evitar se vestir “como vadias”.

O comentário machista gerou uma passeata em protesto, denominada “Slutwalk”, que logo foi reproduzida em vários lugares do mundo, em países da América, Europa e Ásia.  A primeira edição da Slutwalk (traduzida para o português como “Marcha das Vadias”) aconteceu em São Paulo, no ano de 2011.  Em 2012, ocorreram diversas Marchas em várias cidades brasileiras, incluindo a primeira edição do evento na Baixada Santista, que ocorreu em Santos no dia 30 de setembro, com a presença de cerca de uma centena de pessoas.

A idéia da Marcha é combater as atitudes machistas que consideram a mulher total ou parcialmente culpada pela violência que sofre (principalmente aquela de natureza sexual, incluindo o estupro), que classificam algumas mulheres como menos dignas de respeito devido a fatores como a forma como se vestem ou se comportam, sua orientação sexual (como as mulheres bissexuais) ou sua profissão (como as profissionais do sexo), e que colocam sobre as mulheres a responsabilidade de evitar sofrer violência, em vez de cobrar dos homens que não a pratiquem.

A Marcha é especialmente importante em um momento no qual uma pesquisa recente revela que 99,6% das participantes já foram assediadas, sendo que 85% já sofreram violência física de natureza sexual (“passada de mão”), 68% já foram agredidas verbalmente por reagir negativamente ao assédio verbal, e 81% já deixaram de fazer algo por medo do assédio.  É importante lembrar também que estudo elaborado pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (CEBELA) e pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, com base em dados do Ministério da Saúde, revela que 41% dos homicídios e 71% de todos os casos de violência contra as mulheres ocorrem dentro de casa, e que 42% de todas as agressões são causadas pelo companheiro ou ex-companheiro da mulher (número que sobe para 75% quando se considera apenas a faixa etária dos 20 aos 49 anos).  O estudo aponta a culpabilização da vítima como fator preponderante entre os mecanismos por meio dos quais a violência opera.

No entanto, apesar dos avanços da legislação, a proteção e assistência à mulher que sofre violência é insuficiente e, por vezes, inexistente. Levantamento do Conselho Nacional de Justiça revela que, de 400 mil casos, 80% (ou 330 mil) tinham seguido adiante na Justiça, com quase 80 mil sentenças definitivas e nove mil prisões provisórias ou em flagrante.  Pode parecer muito, mas as 80 mil sentenças definitivas correspondem a apenas 20% casos registrados até 2009. E as prisões correspondem a pouco mais de 2%.

Dentre as vítimas de violência, as mulheres negras são maioria.  Segundo estudo das instituções supracitadas, no ano de 2010, foram assassinadas 48% mais mulheres negras do que brancas.

Outro ponto que deve ser ressaltado é o fato de que tais estatísticas são incompletas, pois não levam em conta um dos grupos de mulheres que mais estão expostas à violência e ao preconceito: o das mulheres travestis e transexuais.  Segundo uma  pesquisa realizada pela REDTRANS Brasil, só no ano de 2013, 83 travestis e mulheres transexuais foram assasinadas no Brasil.  Além do machismo e da misoginia que agride todas as mulheres, elas são também vítimas da exclusão social que, através da não aceitação, do escárnio e da recusa a reconhecê-las como mulheres, expulsa muitas da escola, do mercado formal de trabalho e do próprio seio familiar, as empurrando para a marginalidade e o trabalho como profissionais do sexo, o que multiplica os riscos a que se vêem expostas. Chama atenção o número de vítimas jovens, assassinadas antes de completar 20 anos (entre elas uma garota não identificada de 13 anos, estrangulada em Macaíba, Rio Grande do Norte).  Muitas das vítimas, como ela, não são sequer identificadas, o que revela a ausência de qualquer rede de apoio, inclusive familiar.

Por todos estes motivos, as organizadoras convidam as pessoas interessadas a participar da Marcha das Vadias, que ocorre no dia 03 de novembro, com concentração às 13:00 na Praça da Independência, no Gonzaga, e saída às 14:00 em direção ao Emissário Submarino, no qual será realizado um Sarau Feminista, com microfone aberto, apresentações musicais da dupla de rap feminino Tarja Preta, da Baixada Santista e da MC e DJ paulistana Luana Hansen, distribuição e venda de material informativo e literatura feminista, distribuição de insumos de prevenção (preservativo masculino, feminino e gel), orientação sobre prevenção de HIV/AIDS e outras DSTs, e venda de comida vegana.

A organização do evento é aberta a pessoas interessadas em participar, e o grupo pode ser contatado através do e-mail marchadasvadiasbs@yahoo.com.br e pelo Facebook, em: http://www.facebook.com/marchadasvadiasbaixadasantista ou https://www.facebook.com/ColetivoFeministaPaguBaixada?ref=ts&fref=ts

Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/481834158578585/?fref=ts

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