Facebook, Meu Corpo Não é Pornografia!

A campanha Facebook, Meu Corpo Não é Pornografia! começou como uma reação á exclusão, por parte do Facebook, de fotografias tiradas durante Marchas das Vadias pelo Brasil, na qual mulheres apareciam com os seios á mostra. Ao postarem tais fotos, muitxs usuárixs foram avisadxs de que deveriam retirá-las ou tiveram as fotografias excluídas sem sequer um aviso. Quem postou novamente o conteúdo após a censura teve a conta bloqueada por um período (usuárixs com a conta bloqueada não conseguem postar conteúdo). Quem comete novamente conduta considerada “inapropriada” pelo Facebook, após o bloqueio da conta, é excluído do site.

Ela é composta de uma campanha fotográfica, um manifesto, uma carta aberta ao Facebook e uma ação de reclamação em massa junto aos canais de comunicação que o Facebook fornece para seus usuários, e protesta contra a censura arbitrária do site, que já cometeu absurdos como excluir um grupo por conter duas fotos de crianças fingindo amamentar bonecas, ou bloquear uma sobrevivente de câncer que postou fotos de seu peito após uma mastectomia (a mastectomia é uma cirurgia de remoção do seio mas, aparentemente, até peitos femininos SEM seios são “pornográficos” demais para o site). Protesta ainda contra o fato de que, enquanto usuárixs sofrem censura ao postar fotos do corpo humano e de obras de arte que retratem o corpo humano, grupos misóginos, que fazem “piada” com coisas como o homicídio de profissionais do sexo ou o estupro de mulheres sejam mantidos pela rede social que, em caso de denúncia, declara não haver nada neles que viole as políticas do site.

Estamos cansadxs da falta de prioridades do Facebook, que considera o corpo humano mais “ofensivo” do que a violência praticada contra este corpo. Estamos cansadxs de políticas como essa alimentando a cultura machista de que os corpos percebidos como femininos são, por natureza, “pornográficos”. Estamos cansadxs de termos justificadas, minimizadas, não punidas, as agressões que sofremos, sob a alegação de que nós as “provocamos” com nossos corpos que, aparentemente, sempre são pornográficos, independentemente do uso que damos a eles. Estamos cansadxs de não podermos amamentar nossos filhos e filhas em público, sob a alegação de que nosso corpo ofende e constrange. Estamos cansadxs de censura e machismo sendo justificados “pelo bem das crianças”. Que valores passamos a nossas crianças se ensinamos que a visão do corpo deve causar constrangimento? Ou que pessoas vistas como mulheres são, pelo simples fato de existirem, pornografia?

Se você concorda, visite o blog da campanha e saiba como participar.

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