Quem Somos

A Marcha das Vadias (em inglês, Slutwalk) teve início em Toronto, no Canadá, em reação a um policial que, em uma palestra sobre segurança na Faculdade de Direito Osgoode Hall Law School, disse que as mulheres deveriam evitar “se vestir como vagabundas” para que não fossem vítimas de violência. A declaração gerou uma onda de revolta, que culminou na primeira Marcha das Vadias, ocorrida em Toronto em 24 de Janeiro de 2011.

De lá, o movimento rapidamente se espalhou por todo o mundo, com Marchas em lugares tão diferentes entre si quanto Austrália e Índia. No Brasil, tudo começou com a Marcha das Vadias de São Paulo, também em 2011. Em 2012, várias cidades pelo Brasil inteiro também organizaram suas Marchas, e outras estão se organizando para marcharem. As cidades da Baixada Santista estão entre elas.

A Marcha é um movimento apartidário que luta contra as agressões a que mulheres e meninas são submetidas todos os dias.

Lutamos contra a idéia de que nossa autoestima deve estar ligada a quanto somos consideradas “desejáveis” pelos homens. Tal idéia gera pressão para que nos enquadremos em um padrão de beleza massificador, excludente e racista, que contribui para o surgimento e exacerbação de distúrbios alimentares, o uso indiscriminado de produtos que prometem beleza e emagrecimento, e outras manifestações de vergonha e rejeição ao próprio corpo. Não somos todas brancas, loiras, magras, com seios grandes e sem um grama de gordura ou flacidez em nossos corpos. Somos mulheres, somos de todos os jeitos.

Lutamos contra a mercantilização do corpo feminino, transformado em mero chamariz para vender produtos, de cerveja a desodorante. Lutamos contra mulheres usadas como decoração em programas de TV, feiras de venda de produtos, outdoors, etc… Lutamos contra uma cultura que trata mulheres como objetos, e nossos corpos como mercadoria, quando deveria nos enxergar como seres humanos, com opiniões, projetos de vida, sentimentos, desejos e direitos próprios.

Lutamos contra um sistema que ensina que “homens de verdade” não vêem as mulheres como suas companheiras, e sim como objetos sexuais. Lutamos contra um sistema que ensina que não se pode ser “homem de verdade” sem sentir atração sexual por mulheres, e que relega homens não-heterossexuais à categoria de “mulherzinha” (como se ser mulher fosse uma ofensa). Lutamos contra um sistema que pressiona desde cedo meninos e homens a sufocarem suas emoções e a vigiarem o comportamento (próprio e alheio), reprimindo qulaquer manifestação que não se enquadre em um conceito restrito e excludente de masculinidade”

Lutamos contra a violência machista que vitima milhares de mulheres todos os anos. Lutamos contra a violência sofrida pelas travestis e mulheres trans*, consideradas menos dignas de respeito e dignidade por expressarem sua identidade feminina. Lutamos contra a violência institucional perpetrada pelo Estado e por médicos e médicas que se outorgam o direito de decidir se alguém é “mulher de verdade” com base em noções machistas e excludentes do que é “ser mulher”.

Lutamos contra uma cultura que culpa as mulheres pela violência que sofreram. Queremos lembrar a todos e todas que, não importa o que uma mulher vista, como ela se comporte, com quantas pessoas ela faça sexo, ou qual é sua profissão ou orientação sexual…TODAS as mulheres tem direito a ter sua segurança e integridade física respeitadas, e é não apenas cruel como irracional alegar que uma mulher “provocou”, de alguma forma, a agressão da qual foi vítima. A culpa do estupro é do estuprador! A culpa da agressão é de quem bate e não de quem apanha!

Porque vadia?

Nas palavras da Marcha das Vadias DF: “Já fomos chamadas de vadias porque usamos roupas curtas, já fomos chamadas de vadias porque transamos antes do casamento, já fomos chamadas de vadias por simplesmente dizer “não” a um homem, já fomos chamadas de vadias porque levantamos o tom de voz em uma discussão, já fomos chamadas de vadias porque andamos sozinhas à noite e fomos estupradas, já fomos chamadas de vadias porque ficamos bêbadas e sofremos estupro enquanto estávamos inconscientes, por um ou vários homens ao mesmo tempo, já fomos chamadas de vadias quando torturadas e curradas durante a Ditadura Militar. Já fomos e somos diariamente chamadas de vadias apenas porque somos MULHERES.”

“Vadia” é um termo usado para ofender e menosprezar mulheres que ousam ter o controle da própria sexualidade. É usado para envergonhar mulheres a respeito de como ou com quem elas fazem sexo, de como elas se vestem, como se maquiam, do quanto bebem, quais lugares frequentam e em quais horários, que companhias mantém, etc… Não apenas envergonhá-las como assustá-las, já que ser uma “vadia”, na nossa sociedade, equivale a ser “estuprável”, a ter justificada qualquer violência contra si. Nos recusamos a ser ofendidas por ousarmos viver nossas vidas da forma como desejamos. Se ser livre é ser vadia, somos TODAS vadias!